Como tirar sua startup do papel


A maioria de nós já pensou algum dia em uma ideia inovadora que poderia mudar o mundo. Ou, ao menos, ser um grande sucesso. Porém, poucos seguem em frente com o intuito de colocá-la em prática. Porque isso acontece? Será que o Brasil não tem espírito empreendedor?


Segundo o Global Entrepreneurship Monitor (GEM), essa não seria a razão. O Brasil é o 1º país no ranking mundial de empreendedorismo, à frente de potências como China e Estados Unidos, Reino Unido, Japão e França. De fato, nunca empreendemos tanto.


Segundo dados do GEM, em 2017 a taxa total de empreendedorismo (TTE) foi de 36,4% da população adulta (18 a 64 anos), percentual que representa a quantidade de pessoas envolvidos com a criação do seu próprio negócio ou que já tocam a sua empresa. Segundo a ABStartups, o número de startups no Brasil saiu de 2.519 em 2012 para aproximadamente 6.500 em 2018. Mas esse número é bem maior, considerando startups ainda sem CNPJ.

Então porque tantos de nós deixamos aquela ideia revolucionária, disruptiva, em alguma gaveta empoeirada, numa pasta esquecida do computador ou num cantinho adormecido do cérebro?


Bem, podemos avaliar muitas teorias, colocar a culpa na economia, na enorme burocracia do estado brasileiro ou no alto custo da maioria das linhas de crédito, mas acredito que o real motivo é bem menos complexo: não sabemos como começar.


A 1ª marcha de um carro é aquela que “tem mais força”, que usa a maior energia, pois o motor precisa tirar da inércia algo que pesa mais de uma tonelada. Depois disso, tudo fica mais fácil. De forma análoga, tirar a ideia do papel é o passo mais difícil, porque não fomos treinados para isso e não sabemos como fazê-lo.


Aqueles com algum conhecimento das técnicas de administração pensam logo no planejamento, no famoso business plan. Uma planilha de Excel, com custos e projeções financeiras também deve ajudar, certo? Infelizmente não.


Estamos vivendo uma nova era de se fazer negócios, de se criar um empreendimento inovador. Existe toda uma nova trilha a se seguir. A boa notícia é que, diferente do passado, nunca se teve tanta ajuda à disposição nem um ecossistema tão significativo e em evolução como o das startups.


Existem diversos modelos de Aceleradoras, empresas, em sua maioria, voltadas para ajudar as startups em suas diferentes fases de desenvolvimento. Podemos destacar 3 grandes estágios conforme a Trilha de Aceleração implementada pela Sai do Papel:


1ª) Pré-Aceleração: nesta fase a startup tem uma ideia, mas não sabe como testar as hipóteses ou desenhar um modelo de negócios. O empreendedor não tem produto e pode não ter nem equipe.


2ª) Aceleração: nesta etapa a startup já validou suas hipóteses e precisa formar a equipe, criar um produto mínimo viável (MVP) e ir para o mercado.


3ª) Scale-Up: fase em que o empreendedor está no mercado, começou a faturar, mas precisa de ajuda para tracionar, ou seja, para acelerar seu faturamento e operação em geral. Nesta terceira e última etapa as mentorias não são mais em turmas, mas sim particulares. O empreendedor recebe um tutor que acompanha a startup. Um aporte de até 200 mil Reais pode ser feito nesta fase.


Após isso, o empreendimento deixou de ser uma startup e se tornou uma empresa, no sentido mais literal, contratando mais gente, definindo processos, criando departamentos e se estruturando de uma outra forma. Mas, até se tornar uma empresa “de verdade”, os desafios são muitos ao longo destas 3 etapas. Tenha persistência e procure uma aceleradora para ajudar a passar bem pelas 3 fases.


Fique por dentro!


GEM: Global Entrepreneurship Monitor é uma pesquisa que em 2017 foi realizada em 54 países sobre o tema empreendedorismo, sendo que o conjunto desses países representa mais de 70% da população e do PIB global. No Brasil é conduzida pelo SEBRAE, pelo Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade (IBQP) e pela FGV.


ABS: ABStartups ou Associação Brasileira de Startups


MVP: produto mínimo viável é a configuração mínima para um produto ou serviço atender a um problema específico a ponto de validá-lo com solução.


Business plan: documento desenvolvido com o intuito de descrever os objetivos, missão e visão da empresa, assim como seus valores, a concorrência e a forma como pretende alcançar seus objetivos, fazendo projeções de vendas, custo e receitas, em especial se utilizando de dados de mercado e histórico. Em geral envolve planejamento longo e pressupõe que deva ser seguido à risca.


Disruptivo: termo que provém do inglês, mais especificamente do substantivo disruption, para representar uma quebra abrupta, muito utilizado para descrever novos produtos, serviços ou processos que apresentam uma forma completamente nova de se fazer algo, quebrando com um modelo antigo de operação.


Modelo de Negócios: termo utilizado para descrever o planejamento de uma startup, colocando em uma única página os 9 itens considerados essenciais para se descrever o negócio. Se caracteriza por ser ágil e flexível, podendo (e devendo) mudar rapidamente ao longo das primeiras experimentações do empreendimento.


Alex O’Grady

Head of Acceleration

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